comunidade em rede estimula producao de conteudo online premios acumulam r mil

Comunidade em Rede estimula produção de conteúdo online; prêmios acumulam R$ 10 mil

Grupos que já participaram de projetos do Instituto Jatobás foram convidados a produzir vídeos, podcasts e lives durante a quarentena

A pandemia do novo coronavírus colocou em evidência a importância que a sociedade, empresas e governo têm de estar cada vez mais conectados. Reuniões de negócios, shows e até a educação tradicional tiveram que ser reformulados para se adaptar à nova realidade digital.

Pensando em capacitar e tornar o acesso às ferramentas digitais mais fácil em tempos de pandemia, o Instituto Jatobás criou o projeto Comunidade em Rede para estimular a criação de conteúdo virtual.

Grupos que atuaram em iniciativas do instituto nos últimos 15 anos foram convidados a participar do projeto. No total, 55 coletivos produziram cerca de 100 materiais audiovisuais entre lives, podcasts e vídeos e ainda receberam um incentivo financeiro.

Criação do conteúdo

“A ideia surgiu no meio da pandemia. A gente não teria pensado nisso antes. A ideia foi estimular os grupos a trazerem os saberes deles, as atividades deles, em um formato diferente e virtual. A gente quis estimular essa experimentação, que eles experimentassem a atividade deles em um outro formato, que era um formato possível nesse momento, em que todo mundo ficou desestruturado”, explica Renata Safon, do Instituto Jatobás.

Durante a primeira fase do projeto, integrantes dos grupos aprenderam a criar vídeos, lives e podcasts e a utilizar as ferramentas tecnológicas. 

Já na segunda etapa, os grupos participantes foram estimulados a trabalhar com outros coletivos. A produção dos conteúdos era realizada com dois ou até três deles. “Muitos grupos que não se conheciam começaram a se conhecer e fizeram atividades juntos. A gente estimulou essa rede”, diz Safon.

Para Ednusa Ribeiro, do coletivo Meninas Mahin, o trabalho com outros grupos foi importante para mostrar o trabalho para outras pessoas e fazer novas conexões.

“O sentimento é de gratidão. Todo projeto que a gente participa é importante porque a gente se mostra através do nosso trabalho. Outro fato legal foram as conexões com coletivos de outras regiões e que fazem um trabalho parecido com o nosso”, conta.

A escolha dos vencedores também foi de forma virtual. Uma avaliação foi realizada entre os próprios coletivos participantes, que indicavam o melhor conteúdo.

Premiação

Além dos 9 prêmios de R$ 1.000 para os ganhadores, o vídeo mais curtido no Youtube foi contemplado com uma premiação extra do mesmo valor, enquadrado na categoria de voto popular.

“O projeto me colocou em contato com outros produtores de conteúdo e ainda permitiu que eu fosse incentivada financeiramente. Isso é muito importante quando se faz um projeto independente, para que a gente consiga se sustentar como produtor de conteúdo, de arte e cultura”, diz a educomunicadora Gisele Alexandre, que atua na ONG Interferência.

Julio Ruffin Pinhel, do Coletivo Ciclo Limpo, que também participou do projeto, destacou o desafio que foi lidar com a comunicação em mídias digitais. A iniciativa trabalha com coleta e compostagem de resíduos orgânicos em empresas e residências em Botucatu (SP).

“A gente não conhecia todas as ferramentas e o projeto trouxe um desafio, que era essas produções online, que a gente não tinha expertise. Entendemos que não precisava ser especialista ou ter todo equipamento em casa. O projeto trouxe a possibilidade real de fazer produções bem feitas e que trazem um resultado legal”, conta.

Desafio

Para Alânia Cerqueira, da Macambira Sociocultural, que foi parceira do Instituto Jatobás na iniciativa, o projeto revelou uma realidade importante: as ferramentas digitais estão disponíveis, mas o acesso ainda não é democrático. 

“Elas (as ferramentas) estão dadas, mas elas necessitam de recursos e conhecimento técnico que não necessariamente a gente tem. É uma questão de acesso, isso não está dado às iniciativas coletivas sociais e periféricas. Isso é um ponto importante.”

Segundo ela, apesar dos desafios da pandemia e de conectividade, a transposição dos projetos para os meios virtuais não reduziu a essência de cada grupo. “O encantamento não foi perdido. As iniciativas não perderam a mística, a magia do seu fazer por ter que encaixar o conteúdo em uma telinha”.

Confira a lista dos conteúdos premiados:

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