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Em nova etapa do edital aTUAção perifasul, grupos irão executar seus projetos na Zona Sul de São Paulo

Após processo de formação, 20 grupos receberão recursos financeiros, apoio metodológico e mentoria para gerar soluções inovadoras em seus territórios

O edital aTUAção perifasul  – iniciativa formada por Instituto Jatobás, Fundação Alphaville, Fundação ABH e Macambira Sociocultural – chega a uma etapa muito importante. Após um período de formação e capacitação de 25 grupos iniciais com projetos que almejam o desenvolvimento local da Zona Sul de São Paulo, chegou a hora de 20 deles começarem a executar os seus projetos e torná-los realidade.

O processo originalmente planejado precisou se adaptar ao cenário de pandemia do Covid-19. Mas o que poderia ser um obstáculo acabou se tornando um aprendizado que levou ao fortalecimento dos grupos participantes e de uma rede de colaboração entre eles. Como já relatado em matéria anterior, os grupos participaram de dois workshops formativos em janeiro e fevereiro de 2020. A intenção era realizar mais dois workshops e, em seguida, os grupos fariam os pitches dos seus projetos.

Porém, a crise causada pela pandemia do Covid-19 tornou necessário que esse processo fosse repensado e adaptado, o que aconteceu com enorme sucesso. De início, o aTUAção perifasul focou no apoio emergencial a famílias da Zona Sul. Em seguida, retornou com a formação dos grupos, desta vez em formato online. Culminando com os pitches dos grupos, etapa que teve o objetivo de desenvolver os participantes a realizar as apresentações dos seus projetos. Agora terão um ano para executá-los com o apoio das quatro organizações realizadoras do edital.

Entenda todo o processo em detalhes no decorrer da matéria.

Uma pausa na formação para focar no apoio emergencial a famílias

A pandemia e a quarentena não apenas inviabilizaram os workshops presenciais que reuniam entre 50 e 60 pessoas. Também tornaram essenciais medidas assistenciais para famílias afetadas com a perda de renda. Assim, parte dos recursos financeiros que estavam destinados a transporte e alimentação para participação nos workships foram antecipados para que pudessem aplicar nas necessidades emergenciais.

E então começou um trabalho que, até o momento, já atendeu mais de 6 mil famílias (e mais de 24 mil pessoas), distribuiu mais de 6 mil cestas básicas e de 11 mil máscaras de tecido, além de mais de 7 toneladas de materiais de limpeza e mais de 22 mil livros. Também fez doações em dinheiro para despesas básicas, como aluguel e contas (R$ 45.989), compra de medicamentos (R$ 840) e insumos geriátricos e para bebês (R$ 1.604). Dados atualizados podem ser conferidos no site da iniciativa. Outra ação foi mobilizar profissionais para atendimento psicológico e jurídico (para ajustar contratos com fornecedores e credores) a quem necessitasse.

 

Todo esse trabalho foi realizado pelos próprios grupos participantes do edital, com o apoio das quatro organizações, como explicado em matéria publicada anteriormente.

Alânia Cerqueira, da Macambira Sociocultural, comenta que “isso teve o envolvimento de grande parte das iniciativas participantes, que demonstraram organização em rede, mobilização de recursos, solidariedade e liderança em suas localidades. Não me senti surpresa, pois sendo uma dessas iniciativas periféricas sei do nosso potencial e como ele se coloca à disposição dos propósitos coletivos. Mas foi importante acompanhar as percepções de alguns colegas ao notarem, surpresos, seus talentos em articular e gerir tais habilidades em momento tão conturbado”.

Adversidades podem trazer oportunidades de crescimento. E um lado positivo desse cenário de pandemia e das ações realizadas foi fortalecer o trabalho colaborativo e em rede dos grupos. “Com a Covid-19, eles se juntaram tanto que hoje se referem inclusive à Rede aTUAção perifasul. Não é mais o edital, é a Rede. Acho que foi muito importante para eles se empoderarem, se unirem e entenderem que juntos são mais fortes”, relatava Marina H. Fay, da Fundação ABH.

Formação retorna em formato online e grupos fazem pitches com muito sucesso

Em junho, decidiu-se retomar a formação. Após um processo de escuta dos grupos, para entender as suas necessidades e dificuldades, um novo formato foi definido coletivamente com as seguintes características: 1) conteúdos apresentados em espaço virtual coletivo que permitisse a interação; 2) gravados e disponibilizados a quem não pudesse acessar nos dias e horários combinados; 3) mentorias individuais online duas vezes por semana; 4) seriam estabelecidas “iniciativas irmãs” para maior interação, apoio e troca durante todo o processo.

Nessa etapa, a partir de julho foram realizadas sete oficinas online, que resgataram conteúdo dado previamente para avaliar a necessidade de redesenhar o projeto e seguiram com os conteúdos propostos no programa: plano de ação, orçamento, indicadores. As formações contaram com o apoio também de Fabrício Gabriel Siansi, do Sebrae, que ensinou como como fazer um pitch, e de Ebraim Andrade, do Instituto Jatobás, que falou sobre como fazer apresentações em PowerPoint.

Nilton Clécio da Silva Patrício, do projeto Rádio Comunitária, comenta sua experiência com a formação até agora: “Foi muito bacana porque ajudou a estruturar o projeto, a olhá-lo de uma maneira mais profissional, a considerar todos os requisitos necessários para poder cogitar a participação em novos editais.”

“Me senti acolhida e bem direcionada no que tange aos conhecimentos que adquiri nas formações. Achei um edital que se destaca dos demais pela atenção e preocupação de nos atender de acordo com nossas necessidades como participantes periféricos”, diz Evelyn Daisy de Carvalho de Souza, do grupo Trança Amor.

Renata Safon, do Instituto Jatobás, também avalia o processo sob a perspectiva das organizações realizadoras: “Foi um modelo muito novo para todos nós que estávamos envolvidos. E que pode ser replicado em novas iniciativas. O feedback dos grupos foi de que o processo foi bastante didático, mesmo ao abordar temas mais complexos”.

Terminada a formação no novo formato, os pitches foram realizados também em ambiente virtual, nos dias 3 e 4 de agosto. Dos 25 grupos iniciais, 20 chegaram a essa etapa e apresentaram as suas propostas. Por decisão conjunta com os próprios grupos, o pitch não foi excludente, ou seja, não houve seleção dos melhores. Decidiu-se que todos seriam aprovados. Aqueles que não alcançassem o nível de qualidade esperado receberiam mentoria para fazer os ajustes necessários para poderem receber o recurso financeiro. Contudo, isso não foi necessário. Embora a maioria dos grupos não tivesse experiência nesse tipo de apresentação, todos impressionaram pelo seu empenho e pela sua qualidade, o que mostra como o processo de formação – presencial e online – foi de fato eficiente para refinarem as suas propostas. Agora os grupos receberão até R$ 16 mil cada para executar os seus projetos ao longo de um ano.

Alânia Cerqueira comenta que “a apresentação do pitch foi extraordinária e emocionante, revelou muito do potencial que as iniciativas têm em realizar ações de transformação em seus territórios. Como iniciativa periférica, não me vejo surpreendida pelas propostas apresentadas, mas sim com a capacidade de superação, o sorriso e as cores que esses atores sociais e culturais trazem”.

Agora é hora de executar os projetos

Agora começa a segunda etapa do edital, em que os grupos terão um ano para executar os seus projetos. A cada dois meses, receberão uma parcela dos R$ 16 mil destinados a cada projeto e farão relatórios de atividades e prestação de contas.

Mas a formação não acabou. Durante o período de execução dos projetos, os grupos terão apoio das quatro organizações realizadoras do edital. E também poderão realizar mentorias com executivos alocados pela empresa parceira MentorMe, que irão ajudá-los a se estruturar em diferentes áreas de expertise.

Uma das expectativas dessa etapa é que os grupos encontrem formas para se sustentar no longo prazo. Está inclusive prevista uma formação de captação de recursos para que eles viabilizem seus projetos financeiramente, tenham mais estrutura e para que os envolvidos possam inclusive trabalhar com mais dedicação a eles. “Por que hoje eles tem que se dedicar a várias outras coisas para ter a sua renda”, explica Marina.

Diandra Thomaz da Silva, da Fundação Alphaville, resume o sentimento geral em relação a essa etapa: “As expectativas para o próximo ano são as melhores possíveis! O grupo de iniciativas do aTUAção perifasul é composto por pessoas maravilhosas e projetos potentes. Nosso papel é apenas fortalecê-los para que alcancem voos maiores e consigam fazer ainda mais pelos territórios e comunidades onde estão inseridos”.

Um trabalho em rede

Desde o começo, foi almejado que os grupos aprendessem a colaborar em rede, de forma que o trabalho de um fortalecesse o trabalho do outro. E isso tem acontecido natural e organicamente, como mostrou a sua experiência nas ações assistenciais em prol de famílias afetadas pela pandemia e pela quarentena. Esse trabalho em rede continuará a ser incentivado e fortalecido ao longo de todo o processo.

Por exemplo, os grupos estão contratando uns aos outros para a execução de tarefas específicas de seus projetos, em vez de procurar fornecedores externos

É o caso do projeto Educar Emoções, do grupo Caminhar com Amor, que tem o objetivo de trabalhar a educação socioemocional de educadores e crianças em uma plataforma EAD, com uma metodologia criada por uma equipe multidisciplinar de pedagogas, psicólogas, psicomotricistas, neuropsicopedagogas e professoras de yoga. Samanta Bassalo dos Santos, uma das responsáveis pelo grupo, conta que chamou outros dois grupos para ajudar na execução do projeto.

Um é a TV DOC, que irá gravar os vídeos do projeto. Outro é a Troupé na Rua, que fará uma participação em vídeos de yoga para crianças. Assim, um grupo apoia ao outro e uma verdadeira rede é formada.

Samanta comenta: “para mim está sendo motivador, pois trabalhar em parceria faz muito sentindo. Pretendo trabalhar cada vez mais dentro da rede, pois só assim mostramos os talentos que existem nas periferias”.

“Fiquei extasiada com a proposta. Sempre sonhei trabalhar em rede, formando parcerias.  Porque essa é a  nossa maior riqueza. Uma sacada que tem potencial unir forças e algo que vai para além do que imaginamos. E o aTUAção perifasul nos proporcionou esse encontro tão especial”, diz Livia de Mattos, do Troupé Na Rua.

Andre Luiz, da TV DOC, complementa: “somos extremamente gratos pela oportunidade e confiança das fundações realizadoras, o aTUAção perifasul é uma mistura única de projetos e pessoas fantásticas. Me sinto muito honrado, como pai, de ter a oportunidade trabalhar de forma conjunta com o Caminhar com Amor. Para mim, isso tem um significado único, de muito aprendizado”.

Sobre o trabalho em rede, Diandra, da Fundação Alphaville, conclui: “uma das coisas que mais gosto nesse processo é que estamos colocando em prática o que incentivamos nos territórios: ações em conjunto, parcerias e cooperações para termos um impacto maior. E isso ainda é pequeno no tocante ao terceiro setor, então fico muito feliz por fazermos parte desse movimento que espero que gere muitos outros!”.

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