Instituto Jatobás compartilha resultados da pesquisa sobre Rede Comunidade de Inovação Social

A importancia da Rede Comunidade de Inovacao Social

Por Mariângela Almeida

Em parceria com CEATS da FEA/USP, o Instituto Jatobás realizou uma pesquisa para mensurar a percepção de valor do programa nos projetos dos grupos, coletivos e organizações participantes da Rede. O Instituto compartilha os resultados do estudo para apoiar instituições que também atuam com esses públicos.

A Rede Comunidade de Inovação Social, iniciativa idealizada pelo Instituto Jatobás, em 2015, tem o objetivo de apoiar e incentivar grupos de pessoas que se sentem impotentes diante da realidade e querem resolver, com soluções sociais inovadoras, desafios socioambientais nos seus territórios.   

Por meio de editais, coletivos e organizações podem se candidatar para fazer parte da Rede, recebendo capacitação, mentoria e apoio financeiro. Desde a criação do programa, foram lançados quatro editais com foco nas regiões mais vulneráveis da cidade de São Paulo. 

A pesquisa de impacto usou, como recorte, as organizações selecionadas pelos editais Divergente Positivo (2017) e Inova ZL, em parceria com a Fundação Tide Setubal (2018). “O que nos motivou a fazer a pesquisa foi a percepção de que, a cada edital de chamamento e durante os processos de implementação, configurava-se uma curva de aprendizagem significativa com mais subsídios para ajustes e continuidade das ações. Queríamos mensurar a profundidade e o tamanho dessa curva e entender o quanto as instituições beneficiadas percebiam o valor da iniciativa”, explicou Ivani Tristan, líder do programa.   

Mudanças e ajustes nos objetivos e no foco das ações sociais 

A maioria dos 22 grupos, coletivos e associações que participaram do estudo está concentrada nas Zonas Sul, Leste e no Centro da cidade de São Paulo, atuando nas áreas de Artes, Equidade e Diversidade, Meio Ambiente, Feminismo, Urbanismo, Empreendedorismo, Segurança e Educação.

Por meio de um questionário, os pesquisadores abordaram diferentes aspectos da Rede, como a troca de experiências, a maturidade dos projetos desenvolvidos e a criação de parcerias entre os grupos, e o quanto ela impactou as ações desenvolvidas nos territórios.

Dentre os principais apontamentos feitos pelos entrevistados estão a redefinição da missão, por perceberem que a original era ampla demais; a ampliação da proposta para otimizar espaços e recursos; e o ajuste ou mudança total na atuação após conhecerem melhor as necessidades do público-alvo.

Este foi o caso da organização Teatro do Container, cujo projeto tinha o objetivo de realizar apresentações para crianças e pessoas em situação de rua do centro da cidade. Com as capacitações e mentorias recebidas na Rede, a instituição percebeu que podia atuar de forma mais alinhada com as necessidades da população que vive nas ruas da região central de São Paulo. “Começamos a entender que eles não tinham interesse em assistir aos espetáculos. Mas eles usavam o banheiro, penduravam suas roupas… Usavam o espaço para aquilo que não podiam fazer nas ruas. Então, a gente entendeu que poderia atuar de outra forma, criando um espaço de convivência. Fizemos um trabalho de mediação social com os assistentes sociais da prefeitura e começamos a integrar essas pessoas”, revelou a entrevistada da organização.

Fortalecimento das pessoas e das organizações

Embora não fosse o foco da ação da Rede, a iniciativa alavancou o desenvolvimento e a maturidade institucional de uma parte dos grupos, especialmente aqueles que, ao se inscreverem nos editais, estavam na fase de ideação dos projetos.

O desenvolvimento de habilidades e conhecimentos foi outro ganho citado pelos entrevistados. Eles apontaram o uso do método design thinking como essencial para esse avanço. Para a maioria, a participação na Rede propiciou ou fortaleceu a gestão do projeto, a visão sistêmica, a articulação e a realização de parcerias. “A gente começou a ter mais visão de negócio e de sustentabilidade financeira”, explicou a representante do coletivo Meninas Mahin.

“O programa possibilitou que a gente conseguisse realizar o nosso projeto de uma forma muito mais profunda e qualificada”, ressaltou o representante do coletivo São Paulo Lab/Agrogyn.

Outro ponto levantado pela maioria das instituições entrevistadas foi o apoio pessoal: “As mentorias foram fundamentais para a gente entender quem nós éramos e com quem a gente ia atuar, quem era o nosso público-alvo e estabelecer minimamente os produtos e as metodologias que a gente tinha”, reforçou o participante do coletivo É bom ver, cidade.

A possibilidade de estabelecer parcerias com outros grupos e organizações reforçou a importância de redes territoriais e heterogêneas, onde se possam trocar conhecimentos e experiências. “Com a Rede a gente conheceu a Wilifa, que ajudou mais diretamente com alguns projetos, com a escrita de projetos… Para o pessoal da Arq Coop a gente deu entrevista em uma live”, contou a representante do Meninas Mahin.

“Quando recebemos os resultados da pesquisa, vimos que não fazia sentido guardá-los para nós. Por isso, além de disponibilizar o documento a qualquer pessoa, elaboramos uma publicação que resume as principais conclusões do estudo, porque sabemos o quanto são comuns as ‘dores’, os desafios e as expectativas das organizações que, como nós, atuam junto aos coletivos e grupos de diferentes territórios”, explicou Ivani.

Por isso, o Instituto Jatobás convida você a conhecer a “Pesquisa sobre a Rede Comunidade de Inovação Social”, na íntegra, realizada em parceria com o Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (CEATS) da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP e/ou acessar a publicação “A importância da Rede Comunidade de Inovação Social para grupos e organizações territoriais – resumo dos resultados da pesquisa”.

10 dicas de como bombar a divulgação do seu projeto

Saiba o que rolou na Espiral de Conhecimento de setembro. 😉

Está perdida(o)? Não sabe por onde começar e o que fazer para comunicar e divulgar o seu projeto? Pensando nisso, a Rede Comunidade de Inovação Social organizou uma live sobre as principais ferramentas e estratégias de comunicação, com a presença de Aline Santos, do Instituto Jatobás.

Assista na íntegra ou confira o resumão que preparamos para você ler no ônibus. 😉

Dicas de ouro da Aline ❤:

1. Comunicação é sobre relação e empatia: interaja, converse e escute ativamente o seu público.

2. Pessoas se conectam com pessoas e com causas, não com organizações.

3. Faça um diagnóstico da sua comunicação: quais os canais que você já usa, quem é seu público, por onde seu público se informa, como a sua organização comunica o seu propósito?

4. Siga o mantra: o óbvio não existe, o óbvio não existe. Lembre-se de que seu público é composto por pessoas, e pessoas aprendem e assimilam a informação de forma diferente uma das outras.

5. Todo mundo não é todo mundo. Construa a sua comunicação com base em cada público que você identificar. Pense em cada um dos públicos que você tem (comunidade, financiadores, interno etc) e segmente a sua mensagem.

6. Construa a sua mensagem/post/texto com os olhos do seu público: pelo que as pessoas que se conectam com o meu projeto se interessam, qual a idade, como se comunicam, onde vivem, como vivem, do que se alimentam?

7. Fure a bolha! Quer que mais pessoas se conectem com a sua causa? Pesquise, observe e interaja com a multiplicidade de posicionamentos. Se interesse por pessoas, não por suas opiniões.

8. Traga a “diferença” para o centro da sua comunicação. Use imagens que traduzam a diversidade de gênero, raça, etnias, corpos, orientação sexual. Seja inclusivo e equalitário.

9. Na hora de produzir um post, lembre-se: textos curtos, abuse de imagens (com pouco texto, pelo amor da deusa!), use diferentes formatos de conteúdo (áudio, vídeo, imagem, infográfico), crie “iscas” de interesse para as pessoas (a informação principal deve estar em primeiro lugar, sempre!), convide seu público para ação.

10. Ao comunicar (ou vender) seu projeto ou ideia para um investidor, seja sintético e objetivo: por que, como, quais resultados, quais histórias e evidências comprovam tais o seu impacto. Ah, e faça uma apresentação visualmente bonita! 😉

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